"GRUPO DE APOIO EMOCIONAL"

Psicóloga Resp.: Alessandra Oliveira Ciccone - CRP 89.980

O Grupo tem como objetivo oferecer suporte emocional aos pacientes com câncer e seus familiares, de ambos os sexos, promovendo a valorização da autoestima e qualidade de vida.

Além do suporte emocional direto, o Grupo desenvolve trabalho terapêuticos com oficinas de artesanatos, pinturas, dinâmicas, elaboração de livros e campanhas em torno da prevenção e tratamento do câncer feminino. Proporciona aos pacientes a troca de informações e experiências, em um ambiente descontraído e confortante, aumentando a capacidade de relacionar-se com outras pessoas e lidar melhor com o tratamento oncológico.

Os encontros são semanais com duração aproximada de duas horas.

 

Psico-Oncologia: A importância do apoio emocional

A Psico-Oncologia surgiu a partir da necessidade do acompanhamento psicológico ao paciente com câncer, a sua família e à equipe que o acompanha. O papel do psicólogo em oncologia propõe o apoio psicossocial e psicoterapêutico diante do impacto do diagnóstico e suas consequências e mostra a possibilidade de auxílio para melhor enfrentamento e qualidade de vida do doente e seus familiares, ressignificando o processo de adoencimento.

Quando há a confirmação do diagnóstico de um câncer, o impacto emocional pode desestruturar psiquicamente não somente o paciente como os familiares que o cercam. Devido à alta complexidade do tratamento e a possível realização de procedimentos invasivos, é provável que ocorra durante o período do tratamento oncológico, uma mudança significativa na rotina tanto do paciente como na de sua família. Sendo assim, a psico-oncologia se faz essencial em todo o processo de adoecimento do paciente oncológico, para o melhor enfrentamento da doença e adaptação às etapas do tratamento.

O foco principal do trabalho do psicólogo especialista em oncologia é a assistência humanizada ao paciente e seus familiares, visando à qualidade de vida durante as diversas etapas que o tratamento pode exigir do paciente e de sua família. A família do paciente oncológico é sempre enfatizada, pois seu envolvimento é fundamental para adesão do paciente ao tratamento proposto pela equipe.

Tratar de uma patologia tão complexa é um grande desafio, por isso cuidar do estado emocional dos pacientes se faz tão imprescindível. Quem se fortalece emocionalmente através de um acompanhamento psicoterápico adequado, consegue compreender melhor o que está acontecendo a sua volta, se paramentar com mais precisão para enfrentar doença e/ou tratamentos, e consegue se adaptar melhor a nova rotina e viver com mais qualidade durante este processo.

Lurdes Neu- Psicóloga

 

Aspectos psicológicos do paciente com câncer.

O diagnóstico de câncer continua se constituindo em um momento particularmente difícil e gerador de intensa angústia na vida de uma pessoa em função de uma série de aspectos que são mobilizados. A ruptura na forma habitual de vida, a incerteza e a insegurança de futuro, o caminho de um tratamento incerto, por vezes, doloroso e prolongado, associada ao estigma de uma época em que não havia tratamento disponível e a possibilidade da morte era iminente. Estes são aspectos determinantes na configuração de um estado de crise em que a fragilidade emocional torna-se uma esperada consequência.

É comum estarem presentes: o medo da morte, imaginada como inevitável; o medo do sofrimento dos tratamentos; medo em relação a sequelas de procedimentos cirúrgicos quando a doença evolui; medo da dor, muitas vezes pensada como sem possibilidade de controle.

O medo em relação ao câncer tem consequências importantes. Entre elas, o afastamento da possibilidade de diagnóstico precoce. Hoje sabemos que diagnóstico precoce e adequada intervenção imediata são elementos decisivos, que chegam a definir o prognóstico da doença. Em muitos casos, representam o diferencial para a cura.

O medo também pode ser representado pela existência de grande sofrimento psíquico. Vale lembrar que sofrimento, geralmente, não se restringe aos pacientes apenas, mas em muitos casos, estende-se a familiares, amigos e colegas.
Sofrimento emocional muitas vezes leva a pior evolução da doença, porque pode prejudicar a adesão aos tratamentos. Por outro lado, situações prolongadas de estresse frequentemente resultam em funcionamento inadequado do sistema imunológico, o aparato natural de defesa de nosso organismo. Nesse caso, esse passa a ser menos eficaz em sua ação de reconhecimento e eliminação de elementos estranhos ao organismo, por exemplo, células em formação.

Apesar dos avanços científicos e tecnológicos, o diagnóstico de câncer comumente ainda continua sendo uma doença bastante estigmatizada, carregada de preconceitos e mistérios e estimuladora de fantasias irracionais abalando a integridade psicológica dos pacientes, tornando-os fragilizados e vulneráveis, fazendo com que o paciente se volte para si mesmo ou utiliza mecanismos psicológicos de defesa.

Tais mecanismos de defesa têm dupla finalidade: lutar contra a angústia desencadeada diante da ameaça da doença e estabelecer uma nova maneira de relacionamento da pessoa doente com o meio e consigo mesma. Sendo que, estas formas de relacionamentos são as mais variadas possíveis, como agressividade, recusa ao tratamento, baixa auto-estima e etc., dificultando assim a relação do paciente com sua família e equipe de saúde.

O impacto do diagnóstico pode definir diversos sentimentos de difícil elaboração que variam de acordo com os recursos de cada paciente: a idade do paciente, dinâmica familiar, insegurança na relação médico-paciente, tipo de câncer, do momento de vida, de experiências anteriores e de informações que recebeu no convívio familiar, social e cultural que nasceu e desenvolveu.

É importante ficar atento que o paciente tem uma percepção do que está acontecendo com ele e com as pessoas à sua volta. O paciente precisa de pessoas que possam lhe dar afeto e apoio nesses momentos tão difíceis de sua existência, e não de pessoas que se comuniquem com ele só por dever, obrigação, interesse ou falsas esperanças. Ao se estabelecer o final do tratamento, estabelece-se também o contato com sentimentos de ambiguidade. A felicidade e o alívio vêm junto com o medo e a insegurança.

É neste momento que o paciente se depara com a volta a suas atividades familiares, sociais e profissionais anteriores. A possibilidade de fazer planos e ter expectativas de futuro ressurgem. Paralelamente, é comum neste momento surgirem sentimentos de vulnerabilidade (os menores sintomas físicos podem ser interpretados como sinais de retorno ou progressão da doença), abandono (imaginariamente, não necessitar mais de medicação passa a ter o significado de estar desprotegido).

Considerando todos esses aspectos, pode-se compreender que desde a notícia do diagnóstico até o final do tratamento os pacientes passam por períodos críticos, permeados de importante sobrecarga emocional.

Neste sentido, é importante salientar que o apoio psicológico é fundamental para auxiliar o paciente na travessia deste período e pode favorecer o encontro de melhores soluções para suas angústias, suas dúvidas e anseios inerentes ou decorrentes do adoecimento e, consequentemente, facilitar a apropriação de recursos mais adequados para o enfrentamento da situação de maneira ativa e participante. E quanto mais dados as pessoas tiverem a respeito do câncer, maior a quantidade de medidas e proteção que poderão tomar, atentas à possibilidade de diagnóstico e à adoção de estilos de vida saudáveis e de uma atitude mais ativa e participativa em seus tratamentos.

Lurdes Neu
Psicóloga

 

Artigo: Psico-Oncologia: Um novo olhar para o Câncer:

http://www.saocamilo-sp.br/pdf/mundo_saude/79/526a530.pdf

 

Aspectos emocionais do câncer de mama:

http://www.sbpo.org.br/_newsletter/boletins/boletim_julho_agosto_setembro_2009/cancer_de_mama.pdf


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