O preço dos Medicamentos não é culpa do Oncologista.

“Maior que a tristeza de não haver vencido, é a vergonha de não ter lutado" - Ruy Barbosa

Estamos sendo massacrados pela atual Diretoria Executiva da Unimed Campinas, como se os 40 oncologistas e oncohematologistas cooperados tivessem posto nos seus bolsos 6,4% do rendimento da Cooperativa de 2008. A matéria do jornal Em Foco foi claramente escrita por quem nunca viveu a oncologia e não sabe absolutamente nada da dinâmica da especialidade. É uma matéria sensacionalista como vemos todos os dias nos jornais, escrita por profissionais de comunicação que distribuem dados pelo papel com o único intuito de envenenar quem desconhece o assunto. Esse tipo de assessoria, que a Unimed pode ter, nós cooperados, não temos condições financeiras de dispor, pois não trabalhamos com dinheiro dos outros e tentamos nos equilibrar com nosso trabalho.

Em nenhum momento foi citada a taxa de cura dos tratamentos realizados, nem o benefício que milhares de usuários alcançaram ao longo desses 30 anos da oncologia em Campinas, exercida por profissionais sérios, competentes e considerada referência em todo o país. Não se pode pegar uma especialidade e jogá-la no lixo, taxando os médicos de bandidos que visam única e exclusivamente lesar a cooperativa. Aliás que Cooperativa?? A cada dia a UNIMED se assemelha mais e mais à medicina de grupo tentando tolher a liberdade de escolha do profissional e do usuário.

Quem de nós não enfrentou situações onde o paciente necessita de um antibiótico de última geração para sua recuperação e não se consegue usar porque vem a famosa frase “Esse a UNIMED não paga doutor, é preciso preencher esse formulário, fazer um relatório e esperar o auditor passar para ver se libera. Só que agora o auditor só vai passar depois de amanhã...”. O diretor presidente termina o editorial da matéria em questão com a seguinte frase: “O CQA é da NOSSA Unimed e SEU também”. Pensamos que “NOSSA Unimed” já incluía os médicos cooperados, mas parece que para essa diretoria a “NOSSA Unimed” é só deles.

A Oncologia é cara no mundo inteiro, milhares de dólares são investidos em pesquisas buscando a cura do câncer. A população mundial está crescendo e as pessoas vivem mais, aumentando as chances de desenvolver um tumor, curá-lo e viver para ter o segundo e às vezes o terceiro. Nos últimos 20 anos a incidência de câncer vem aumentando graças ao tabagismo, às reposições hormonais, ao uso indiscriminado de anabolizantes, alimentos industrializados, poluição, etc.

Ao mesmo tempo a cura do câncer aumentou ao redor de 30%, graças às novas técnicas de diagnóstico, novas técnicas de cirurgia e; de tratamento com drogas-alvo desenvolvidas nos últimos 10 anos como: anticorpos monoclonais, antiangiogenicos, entre outros. Houve uma verdadeira revolução no tratamento de cânceres como mama, colon, pulmão e sistema nervoso central.

Também as patentes caíram e o mercado recebeu uma avalanche de similares e genéricos. Infelizmente na oncologia brasileira, os genéricos representam apenas 2% dos medicamentos utilizados e são os de menor custo. Também os similares nem sempre são de qualidade e na prática, o que se vê com o uso desses medicamentos é um aumento dos efeitos colaterais, como enjôo, náusea, alergia, gastrite. Alguns, às vezes, ao serem preparados, simplesmente não diluem no soro.

Hoje os medicamentos responsáveis por gastos tão altos são monopólio de uma única empresa, sem similares e sem genéricos. Isso também não foi citado na matéria. No Correio Popular de Campinas do dia 29 de julho de 2009 há uma nota referindo que a farmácia de um hospital de Ribeirão Preto, foi assaltada e os ladrões levaram 2,5 milhões de reais em medicamentos oncológicos!! Se há esse tipo de roubo, é por que existe mercado para carga roubada. Quem de nós não gostaria de dispor para si ou sua família, das melhores drogas existentes no mercado para tratamento de câncer? Como explicar para um paciente, ou simplesmente deixá-lo morrer, porque determinado medicamento que pode ajudá-lo é muito caro? Ah, mas aumento de sobrevida em 6 meses é muito pouco... Será? Pense no que você fez nos últimos 6 meses e veja se foi pouco. Em 6 meses você faz a viagem dos seus sonhos, você vê seu filho ou seu neto nascer, você participa da formatura ou casamento dos seus filhos ou netos, você simplesmente “VIVE” mais 6 meses. Vale a pena gastar tanto com uma doença incurável? Bom, se é assim, então não é preciso tratar diabetes, esclerose múltipla, AIDS, hipertensão arterial ou insuficiência cardíaca.

Com os recursos da mídia (essa mesma que a Cooperativa está usando para nos massacrar) os pacientes já chegam para tratamento com nomes de drogas que ainda estão nos balcões de testes dos laboratórios. Cabe a nós oncologistas orientá-los para o melhor tratamento.

O jornal Em Foco, citou o impacto dos gastos com medicamentos oncológicos em um contrato com 23 vidas!!! Ora, para onde vai essa curva se um paciente desse contrato infartar, (estatisticamente mais incidente que câncer), precisar de UTI por 3 dias ou se complicar com uma infecção hospitalar multiresistente? Esse exemplo é um insulto à inteligência de quem lê a matéria. Nesse caso, cabe muito bem uma colocação do nosso sábio Ruy Barbosa: - “Há tantos burros mandando em homens de inteligência que às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência”.

O oncologista para alcançar a melhor opção de tratamento para seu paciente depende da sua capacidade profissional, do seu estudo, do seu discernimento para saber interpretar resultados de trabalhos publicados, e então de medicamentos de qualidade para alcançar seus objetivos. Nossos pacientes não são autogerados, são encaminhados por colegas que confiam no nosso trabalho, estamos sempre atuando de forma multidisciplinar. Procuramos internar os pacientes nos hospitais onde seus médicos de origem também possam assisti-los para que se sintam mais seguros. Não temos hospital de retaguarda, aliás, que hospital é esse? Qual o acordo feito com esse hospital de retaguarda para atender os pacientes oncológicos do serviço próprio? Quanto isso vai custar para a Cooperativa ? Quem vai acompanhar esses pacientes nas suas intercorrências?? O médico de plantão do hospital de retaguarda? Que tipo de atendimento terá esse paciente com um médico de porta que não o conhece, que não sabe qual medicamento ele está utilizando, que desconhece interacões medicamentosas com quimioterápicos...enfim, “ISSO É TRATAMENTO HUMANIZADO??” À semelhança dos hospitais e serviços credenciados, temos o compromisso com a Cooperativa, além do moral e ético, de atender todos os pacientes com os melhores recursos que dispomos, usar o tratamento que mais possa ajudá-los e cobrar os medicamentos utilizados.

No contrato que vigora hoje com as clínicas de oncologia, temos que agir da seguinte forma: 1) emitir uma guia onde se coloca diagnóstico, estadiamento, altura, peso do paciente entre outras informações gerais, o esquema de tratamento com todas as drogas, doses, diluições, tempo de infusão e de tratamento. 2) Essa guia é auditada, aliás cabe aqui outro esclarecimento, as auditoras de oncologia foram demitidas por telefone pela Coordenadora da Auditoria e atualmente nosso auditor é um Clínico Geral, o Dr. Adriano Cesar Bertuccio, mas também já recebemos guias autorizadas pelo Diretor Presidente e pelo Diretor de Área Hospitalar como auditores da oncologia. 3) “SÓ” podemos iniciar o tratamento “DEPOIS” de aprovada a guia. As despesas são elencadas (igual em hospitais) e encaminhadas para Cooperativa. Os materiais seguem os preços preestabelecidos pela cooperativa, independentemente da marca que utilizamos. Os medicamentos, todos codificados, são pagos com o “PREÇO DE FÁBRICA”, determinado pelas tabelas ABC FARMA e SIMPRO (não é Brasindice), com o acréscimo de 5%. Nossas Notas Fiscais são apresentadas para a Cooperativa quando solicitadas. Desses 5% sobre os medicamentos, à semelhança dos hospitais, cobrimos os gastos com enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, capela de fluxo para preparação asséptica das drogas, limpeza terminal, faxineiros, etc.

Em relação aos medicamentos, só agora, há 3 meses, recebemos codificação dos genéricos e similares. Antes, nem que quiséssemos poderíamos utilizá-los, porque não existia código, e a Cooperativa não reconhecia o uso de outras marcas que não estivessem codificadas. Portanto a cotação que a Cooperativa conseguiu agora, nos era impossível de conseguir antes da abertura do serviço próprio. Nas inúmeras reuniões que fizemos com o Diretor de Área Hospitalar e sua Gerente, ao longo de 2008, apresentamos lista de medicamentos genéricos e similares de qualidade que poderiam ser utilizados, com menor preço, mas nunca conseguimos os códigos, ficaram sempre de responder depois, e nunca veio essa resposta. Nos pediram redução de custos, fizemos estudos, criamos propostas, apresentamos soluções.... não houve acordo, ficando clara a intenção de “NÃO ACEITAR UMA SOLUÇÃO TÉCNICA”, apenas porque se queria “CRIAR UM FATO POLÍTICO”.

Agora sabemos que já havia uma determinação para abertura desse serviço, como uma promessa de campanha, por isso nenhuma das nossas propostas foram sequer estudadas. Fomos usados e manipulados por essa diretoria de forma vil, todo o tempo, numa total falta de respeito e de ética com a figura do médico, que vem prestando serviços e fidelidade à Cooperativa e aos usuários, alguns há mais de 25 anos.

Temos a clara convicção de que somos um balão de ensaio para que o mesmo seja feito depois com outras especialidades. Finalmente alguns de nós foram chamados sim, um a um, para reuniões formais na Cooperativa, sem sabermos a pauta. Quando chegávamos, (um de cada vez em dias diferentes), estavam presentes, o Diretor de Área Hospitalar, mais um ou dois diretores da Diretoria Executiva, um “ADVOGADO” da Cooperativa e uma Secretária. Havia uma introdução feita pelo Diretor da Área Hospitalar dizendo que o serviço próprio seria criado e o diálogo transcorreu assim:

- Você aceitaria tocar esse serviço próprio? (Diretor)

- Só eu? E os outros colegas? (Oncologista)

- Estou perguntando para você....(Diretor)

Diante disso, ninguém aceitou essa proposta. A Secretária então, elaborava uma ata que tínhamos que assinar no final, com a presença do advogado na sala, para nos constranger e coagir. Será que um único cardiologista aceitaria proposta da Coope-rativa para fazer todos os ECG em um serviço próprio? Será que um único radiologista, aceitaria tocar um serviço próprio da Unimed Campinas assinando todos os laudos? E um patologista, será que aceitaria fazer todos os laudos em detrimento dos outros cooperados patologistas? Essa situação foi a “PRINCIPAL RAZÃO” da recusa coletiva. É bom que isso fique bem claro. Agora ficam as colocações finais a respeito da matéria veiculada:

1) Qual distribuidora fornece para a Cooperativa com preços tão diferentes? Porquê não citar a fonte para que os oncologistas também possam usufruir desses preços tão competitivos? Nossas Notas Fiscais comprovam o que pagamos.

2) Ninguém ignora que ser citado no Caderno Referência em Saúde e na Revista Metrópole do Correio Popular, se dá através de “MATÉRIAS PAGAS”, propaganda que nós médicos somos impedidos de fazer pelo Código de Ética. Quanto custou para a Cooperativa essa propaganda?

3) Quantos de nós, médicos cooperados, tivemos nossas fotos estampadas nos jornais da Cooperativa divulgando nosso trabalho? Desde que esse serviço abriu, as fotos dos 4 médicos recém formados, e “CONTRATADOS, NÃO COOPERADOS”, aparecem insistentemente em todas as publicações da Cooperativa, inclusive na farmácia da Unimed e nos jornais para os usuários. Eles têm direito a uma propaganda que nós nunca tivemos e “PAGA COM NOSSO DINHEIRO”.

4) Quanto representa para a Cooperativa os “GASTOS GERADOS” por esse serviço que conta com o aluguel do prédio (mais de 2 anos), reforma do local, compra de mobiliário, capela de fluxo, materiais e medicamentos, salário de funcionários (recepcionistas, farmacêuticos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, faxineiros, copeiros, seguranças, psicólogos, médicos), férias e 13º salários, água, luz, telefone, ar condicionado, hotelaria para os pacientes que ficam mais de 4 horas, material de limpeza, enfim, tudo que a Vigilância Sanitária exige de uma clínica que faça esse tipo de trabalho?

5) A Cooperativa abriu concurso para entrada de novos cooperados em Agosto do ano passado com apenas uma vaga para oncologia e uma para radioterapia, com a desculpa que não havia demanda para mais vagas. Para nossa surpresa agora, foi anunciada nova prova para cooperativação com, pasmem vocês, 6 “SEIS” vagas para oncologia, 6 “SEIS” vagas para hematologia e 6 “SEIS” vagas para radioterapia.... coincidência não? Será que os 4 médicos “NÃO COOPERADOS E CONTRATADOS” para o serviço próprio vão prestar esse concurso, passar e pagar a cooperativação???

Não poderíamos nos calar diante de tanta falta de respeito e de ética para com uma especialidade que vem crescendo de forma séria e que apesar de cara, consegue devolver a alegria de viver para muitos pacientes que enfrentam uma doença tão traiçoeira.

Novamente temos que citar Ruy Barbosa - “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

Aos que nos conhecem e acreditam no nosso trabalho, agradecemos a confiança. Aos que ainda não entenderam e querem saber mais, estamos todos à disposição para qualquer tipo de esclarecimento que desejarem e os convidamos para conhecer nossas clínicas e nosso dia-a-dia.

Atenciosamente,

Oncologistas

ALBERTO JOSÉ FERNANDEZ SAGARRA

ALICE HELENA ROSANTE GARCIA

ANDRE AUGUSTO JUNIOR GEMEINDER DE MORAES

ANDRE DEEKE SASSE

ANNA VALERIA GERASIO DE BRITTO

ARMANDO ANTONIO MARQUES DA SILVA

CHRISTIANNE GUILHON MARTELOTTA AMALFI

EDRA DOMINGUES PEREIRA DE OLIVEIRA

GILMAR NEPOMUCENO ARAUJO

GISELE CUNHA DE SOUZA

JUVENAL ANTUNES DE OLIVEIRA FILHO

KATIA CRISTINA FITAS LOUREIRO

LEONARDO DA SILVEIRA BOSSI

LUIS SALVADOR PETRILLI

LUIZ CARLOS TEIXEIRA

MARIA TERESA GRANDE

MARIO SERGIO MARQUES

MARY DA SILVA THEREZA

NANCY MINEKO KOSEKI

OTAVIO MARTUCCI

PAULO EDUARDO PIZÃO

VERA LUCIA DE JESUS ARANEGA

HematoOncologistas

AFONSO CELSO VIGORITO

GISLAINE BORBA OLIVEIRA

GUSTAVO DE CARVALHO DUARTE

JOAO PAULO MARQUES BIGHETTI

JOSE FRANCISCO COMENALLI MARQUES JUNIOR

KATIA APARECIDA DE BRITO EID

MARCIA TORRESAN DELAMAIN

PATRICIA GAMA

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